segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Hospitalidade: a pedagogia do outro



A hospitalidade se define sempre a favor do outro
. É um movimento na direção do outro, uma poesia da acolhida. Uma alta funcionária do governo do Peru, que fora antes assistente social em regiões de indígenas amazônicos, ao visitar uma comunidade da nação Achuar, foi recebida com esta canção de hospitalidade: “Pomba, que deixaste teu ninho e que vens de tão longe, não fiques triste. Nossa comunidade é uma grande árvore que abre seus ramos e te acolhe em seu ninho. Pomba fique conosco”.

A hospitalidade é definida na Bíblia como um dom (I Pe. 4. 9). Abraão teve uma experiência linda de hospitalidade (Gn. 18. 1-16). O escritor da epístola aos Hebreus chega a afirmar: “Não vos esqueçais da hospitalidade, pois por ela alguns, sem o saber, hospedaram anjos” (Hb. 13. 2). O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo (I Tm. 3. 2), afirma: “É necessário, pois, que o bispo seja [...] hospitaleiro...” (grifo meu). A acolhida traz à luz a estrutura básica do ser humano. Existimos porque fomos acolhidos: a generosidade da mãe, o colo do pai, a companhia dos amigos, etc. Tudo isso são imagens da hospitalidade em nossa vida diária.

Abraão e as dimensões da hospitalidade (Gn. 18.1-16)

A questão do olhar

O texto de Gênesis 18 mostra-nos com profundidade, as dimensões e a beleza da hospitalidade. Logo no versículo 2, há uma proposital repetição do verbo ver! O versículo diz: “Levantou Abraão os olhos, olhou e viu três homens em pé na sua frente. Vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, e prostrou-se em terra”. Ora, se o texto afirma claramente que os três homens estavam “em pé na sua frente”, dá para presumir que Abraão os teria visto, não? Mas o texto faz questão de frisar que ele, com certeza, viu, olhou, atentou para eles.

O que isso tem de tão importante? Isso nos assegura a base da hospitalidade: a questão do olhar! O olhar sempre representa um conhecimento da presença do outro, e, por parte do estranho, do que se aproxima pedindo abrigo, uma súplica silenciosa para um possível encontro. Negar-se a olhar é pretender tornar não-existente o que existe e grita. Abraão olhou, viu, aceitou o fato de que o outro carecia de seu auxílio, de sua acolhida!

A questão da sensibilidade

Sem a sensibilidade não há movimento de ida ao encontro do outro. Não há socorro, não há celebração. Há um termo grego que traz as mais belas dimensões da sensibilidade: patós (sentimento). Quando a sensibilidade está aflorada em nós, o patós subjuga o lógos (razão, lógica). O sentimento domina a lógica. Abraão não raciocina no sentido de que aqueles homens fossem estranhos, e, portanto representassem uma ameaça, mas parte do patós, com seu ato de “prostrar-se em terra”. Somente os sensíveis podem acolher. O mundo embrutecido não permite que a veia da sensibilidade nos guie para além das garras da lógica.

A questão da acolhida

A acolhida não é feita apenas da verbalização do encontro, mas de gestos que se concretizam na história:

Convite para o descanso: no versículo 4, Abraão diz: “...repousai debaixo dessa árvore”. A promoção do descanso é gesto de humanidade que enxerga no outro a necessidade de recobrar o ânimo. O gesto de oferecer a sombra de uma árvore é o símbolo do enxergar da necessidade de uma brisa, de uma refrigeração do calor da vida.

Oferecer água fresca: essa água aponta para o gesto de oferecer vida. Água é vida! No versículo 4, Abraão diz: “traga-se agora um pouco de água, e lavai os pés”. Lavar os pés é o supremo grau de acolhida e serviço. É um indicativo de que a convivência generosa e aberta é livre da poeira do passado.

Convite para comer: a hospitalidade e a convivência se concretizam na comensalidade. No versículo 5, Abraão diz: “Trazei um bocado de pão”. Nos versículos 6, 7 e 8, a refeição se amplia. No âmbito da hospitalidade não se trata apenas de uma nutrição, mas é a consumação de uma relação e de uma convivência. É compartilhar do que você come todos os dias, ou seja, é um convite à sua vida diária!

Servir de forma abundante: uma refeição especial, não um serviço burocrático de um cotidiano cansativo. Abraão oferece o melhor: no versículo 7, o texto faz questão de frisar que o bezerro era “tenro e bom”. É a máxima descentralização de si mesmo e a máxima concentração no outro.

A base maior da hospitalidade é o reconhecimento do outro. O Novo Testamento afirma que o próprio Deus por sua encarnação se fez outro em Jesus. É no outro, portanto, que encontramos a máxima densidade da presença de Deus. Isso é hospitalidade.

“Se vivermos justapostos acabaremos opostos, por isso, precisamos sempre ser compostos, entrando em alguma composição para conviver, absolutamente juntos” (Martin Buber, filósofo judeu-alemão, em “Eu-tu, por uma democracia sócio-cósmica”).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

BLOCOS E RETIROS


Uma parábola sobre o papel da igreja durante o Carnaval

Epêneto era o presbítero responsável pela igreja em Roma, desde que Priscila e Áquila tiveram que deixar a cidade em busca de novos campos missionários. Epêneto foi um dos primeiros a se converterem através do trabalho realizado por Paulo nessa cidade.

Aquela igreja era muito ativa, sempre aberta a acolher as pessoas. Quando havia algum cataclismo, fome ou guerra, os cristãos se mobilizavam para socorrer as vítimas. Por causa de seu envolvimento com a dor humana, ganhou a simpatia de todos, inclusive de funcionários do palácio de César.

Num belo dia, ouviu-se o clangor do clarim. Todos se reuniram para ouvir o que o mensageiro do império tinha para anunciar. Em duas semanas, o exército romano estaria chegando de uma campanha militar bem-sucedida. O próprio César o receberia com uma Parada Triunfal, que seria seguida de um feriado prolongado dedicado aos deuses Marte e Saturno, também conhecidos como Apolo e Baco, divindades da guerra e do vinho, respectivamente. Seria uma grande festa, regada a bebidas alcoólicas e todo tipo de luxúria. A população sairia às ruas para assistir ao desfile das tropas romanas, dando-lhes boas-vindas, e assistiriam à execução de milhares de prisioneiros. Ninguém trabalharia naqueles dias.

Epêneto ficou preocupado com a notícia. Qual deveria ser o papel da igreja durante essa festa pagã? Ainda inexperiente como líder, reuniu alguns dos mais antigos membros da igreja para discutir o que fazer.

Um deles, chamado Narciso, pediu a palavra e deu sua sugestão:

- Amados no Senhor, por que não aproveitamos o ensejo para promover um desfile paralelo, onde demonstraremos ao mundo a nossa força, revelando a todos nossa lealdade ao Rei dos reis, Jesus Cristo? Podemos até copiar algumas de suas canções, adaptando-as à nossa fé. Em vez de exibirmos prisioneiros, exibiremos testemunhos daqueles que foram salvos. Vamos montar nosso próprio bloco, quer dizer, nossa própria parada triunfal. Pode ser uma grande oportunidade evangelística.

Epêneto, depois de algum tempo pensativo, respondeu: Caro Narciso, a idéia parece muito boa. Porém, quem ouviria nossa voz durante os momentos de folia? Nosso modesto bloco se perderia no meio de toda aquela devassidão. Ademais, a maioria das pessoas estará embriagada, incapaz de entender nossa mensagem. Também não estamos preocupados em dar uma demonstração de força. Jesus disse que nosso papel no mundo seria semelhante à de uma pitada de fermento, que de maneira discreta, sem chamar a atenção para si, vai levedando aos poucos toda a massa. Por isso, acho que sua idéia não é pertinente. Quem sabe em gerações futuras, haja quem a aproveite?

Levantou-se
então Andrônico, que gozava de muito prestígio por ser parente de Paulo, e sugeriu:

- Amados, durante o Desfile Triunfal e as Saturnais, a situação espiritual da cidade ficará insuportável. Divindades pagãs serão invocadas, orgias serão promovidas em lugares públicos à luz do dia. Não convém que estejamos aqui durante essa festa da carne. A melhor coisa a fazer é nos retirarmos, buscarmos um refúgio fora da cidade, e aproveitamos esse tempo para nos congratularmos, sem nos expormos desnecessariamente às tentações da carne.

Todos acenaram com a cabeça, demonstrando terem gostado da idéia. Já que seria mesmo feriado, ninguém precisaria trabalhar. Um retiro parecia a melhor sugestão.

O velho
presbítero ficou um tempo em silêncio, meditando. Todos estavam atônitos esperando sua palavra, quando mansamente respondeu:

- Irmãos, não nos esqueçamos de que somos o sal da terra e a luz do mundo. Se no momento de maior trevas nos retirarmos, o que será desta cidade? Por que a entregaríamos ao controle das hostes espirituais das trevas? Definitivamente, nosso lugar é aqui. Não Precisamos deexposição, como sugeriu nosso irmão Narciso, nem de fazer oposição à festa, retirando-nos da cidade, como sugeriu Andrônico. O que precisamos é estar à disposição para acolher aos necessitados, às vítimas da violência, aos desassistidos, aos marginalizados.
A propósito, não temos estado sempre disponíveis para atender as pessoas durante as tragédias que tem abatido o império? E o que seriam tais desfiles, senão tragédias morais e espirituais? Saiamos às ruas, mesmo sem participar da folia, e estendamo-los as mãos, em vez de apontar-lhes o dedo, oferecendo compaixão em vez de acusação, amor em vez de apatia. Que as casas que usamos para nos reunir estejam de portas abertas para receber quem quer que seja, e assim, revelaremos ao mundo Aquele a quem amamos e servimos. Afinal, o reino de Deus se manifesta sem alarde, sem confetes, sem barulho, mas perturbadoramente discreto.
Depois dessas sábias palavras, ninguém mais se atreveu a dar qualquer outra sugestão.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Igreja Perfeita

Uma das características dos evangélicos brasileiros neste inicio de século é a constante mutação de seus membros. Acredita-se que pelo menos uma vez ao ano parte dos seguidores de Cristo mudam de igreja, alegando os mais diversos motivos, sendo que o principal destes é que a igreja que faz parte é cheia de problemas e distorções. Na verdade, tais pessoas fundamentam suas decisões migratórias na pseudo-verdade de que existem igrejas perfeitas, cuja liturgia eminentemente é marcada por algum fator preponderante que lhe agrade.

Particularmente eu conheço pessoas que em nome de Deus mudaram de igreja quase uma dezena de vezes. Para estas, o fato de existirem conflitos de opiniões ou divergência relacionais com os irmãos em Cristo, aponta exclusivamente para a retirada do time de campo. Ora, tal comportamento mostra claramente uma visão distorcida e equivocada quanto a Igreja, até porque, não existem igrejas perfeitas, pelo simples fato de que elas são compostas por homens imperfeitos. E o fato de não sermos perfeitos, impossibilita a constituição e formação de igrejas perfeitas.

Caro leitor, é bem possível que você tenha sido testemunha de inúmeros casos de pessoas que falharam em suas comunidades locais proporcionando ao seu coração mágoas, decepções e frustrações. Se em virtude disto você tem abandonado o barco usando do álibi da imperfeição, afirmo-lhe que está cometendo um grande equivoco, isto porque, são através das falhas, erros e distorções comportamentais de nossos irmãos que podemos colocar em prática as orientações de nosso Senhor.

Alguém certa feita disse: “A igreja é como a Arca de Noé. Lá dentro o cheiro pode ser insuportável, entretanto, é bem melhor estar dentro do que fora.”

Pense nisso!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Amor de Jesus

Na cidade de Chicago, numa noite fria, escura, havia uma forte névoa.Um garotinho estava vendendo jornais na esquina, as pessoas estavam fugindo do frio. O garotinho estava com tanto frio que ele não poderia ficar vendendo jornais. Ele caminhou até um policial e disse:

- Senhor, saberia me dizer onde um pobre garoto poderia encontrar um lugar quente para dormir esta noite? Sabe, eu durmo em uma caixa na esquina logo abaixo e o frio é terrível à noite. Como seria bom eu ter um lugar quente para ficar. O policial olhou para o garotinho e disse:

- Você desce a rua até aquela grande casa branca e bata na porta. Quando alguém vier abrir a porta você apenas diz "João 3:16", eles deixarão você entrar.

Então o garotinho caminhou até a casa e bateu na porta e uma senhora o atendeu. Ele olhou para ela e disse:

- "João 3:16".

A senhora disse:

- Entre, filho. Ela o levou para dentro da casa e o sentou numa poltrona em frente a uma grande lareira, e se retirou. Ele ficou ali sentado e pensou "João 3:16. Eu não entendi isto, mas isto é certo que aquece um menino que sentia frio." Mais tarde a senhora voltou e perguntou-lhe:

- Você está com fome?

- Ele respondeu:

- Bem, um pouco. Eu não como há alguns dias. A senhora o levou até a cozinha e sentou-o numa mesa cheia de comida. Ele comeu até não poder mais. Então ele pensou: "João 3:16... Eu não entendi isto, mas isto é certo que sacia a fome de um menino". Ela o levou até o banheiro onde tinha uma enorme banheira cheia de água quente e ele entrou na banheira e molhou-se. Ainda molhado, ele pensou, "João 3:16...".

"É certo que eu não entendi isto, mas isto fez de um menino sujo, limpo. Você sabe, eu nunca tinha tido um banho de verdade em toda a minha vida. O único banho que eu tive foi quando eu fiquei em frente a um grande hidrante de incêndio que estava esguichando água". A senhora o levou até o quarto e o colocou em uma grande cama antiga e cobriu-o com um cobertor até o seu pescoço, deu-lhe um beijo de boa noite e apagou as luzes. Assim que ficou no escuro e olhou para a janela, a neve começou a cair naquela noite fria e ele pensou, "João 3:16... Eu não entendi isto, mas isto fez com que um menino cansado, descansasse".

Na manhã seguinte, a senhora voltou até o quarto e o levou para a mesma mesa cheia de comida. Depois que ele comeu, ela o levou de novo para mesma poltrona em frente à lareira e pegou uma Bíblia grande e sentou em frente a ele. Ela o olhou e perguntou:

- Você entendeu João 3:16?

- Ele disse:

- Não, senhora. A primeira vez que eu ouvi foi na noite passada quando um policial me disse para usar isto.

Então ela abriu a Bíblia em João 3:16, e começou a explicar para ele sobre Jesus. Ali mesmo em frente à grande lareira, ele deu seu coração e vida para Jesus. Ele sentou e pensou, "João 3:16. Eu não entendi isto, mas isto faz um menino perdido ser salvo".

"Você sabe, eu tenho que te confessar, eu não posso entender, como Deus enviou seu próprio Filho para morrer por mim, e como Jesus concordou em fazer tal coisa? Eu não entendi isto, mas é certo que isto faz a vida valer a pena".

João 3:16-18 diz:

* 16 "Porque Deus amou tanto o mundo de tal maneira que deu seu único Filho, para que todo aquele que nele acredita não pereça, mas tenha a vida eterna".

* 17 "Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele".

* 18 "Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque ele não crê no nome do único verdadeiro Filho de Deus".

Se você não tem vergonha de fazer isto, siga estes caminhos. A Palavra de Deus diz:

* "Porque, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos". (Lucas 9:26).

* "Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos". (Marcos 8:38).

- Sim, eu amo a Deus. Ele é minha fonte de existência e meu salvador. Ele me mantém a cada e todo dia. Sem Ele, eu não seria nada e sem Ele, eu não sou nada, mas com Ele eu posso fazer todas as coisas através de Jesus, que me dá força. "Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece". (Filipenses 4:13).

"Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece". (Filipenses 4:13).

“Aquele, pois, que sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4:17)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A igreja perseguida




Localizada na metade setentrional da Península da Coreia, no leste asiático, a Coreia do Norte é caracterizada por altas montanhas separadas por vales estreitos e profundos. Densas florestas cobrem cerca de dois terços do país.

População

A população norte-coreana é de pouco mais de 23 milhões de pessoas. Etnicamente, ela é constituída quase que totalmente por coreanos (99%). Há um pequeno número de chineses e japoneses.

Segundo estimativas do governo, 70% da população não professa nenhuma religião. O restante segue crenças asiáticas como xamanismo, confucionismo ou budismo. Há grupos cristãos de protestantes, católicos e ortodoxos.

Quase 100% da população é alfabetizada e tem acesso à educação.

A população sofre com a fome - 36% dela é subnutrida. Há abertura para organizações humanitárias atuarem a fim de aliviar a fome da população, mas os esforços não são suficientes. Isso acontece parcialmente por causa da corrupta liderança das forças militares. Eles interceptam muitas cargas de alimento e desviam-na aos seus soldados. O próprio
presidente Kim Jong-Il disse, certa vez, que só precisa que 30% da população sobreviva.

História

A história recente da Coreia do Norte tem sido bastante sofrida. A Coreia foi dividida em dois países logo após a II Guerra Mundial, como consequência da Guerra Fria. Antes disso, porém, o país foi ocupado pelo Japão por 35 anos, entre 1910 e 1945.

Em junho de 1950, tropas norte-coreanas invadiram a Coreia do Sul em uma tentativa de unificar o regime comunista. O conflito armado durou três anos e culminou com a vitória sul-coreana, tendo causado sofrimentos significativos à região.

A zona desmilitarizada entre os dois países continua sendo uma das áreas mais fortificadas e impenetráveis do mundo.

A guerra quase irrompeu novamente no fim da década de 90, mas foi evitada graças a esforços diplomáticos. Não obstante, ainda há grande tensão entre as duas Coreias.

Governo e economia

Atualmente, a Coreia do Norte é um Estado comunista controlado ditatorialmente por um homem - o presidente Kim Jong-Il.

Em setembro de 2008, Kim Jong-Il não compareceu a um importante desfile militar. Surgiram boatos de que ele estaria enfermo, e especulou-se sobre quem seria seu sucessor. No entanto, o presidente reapareceu em público, reafirmando seu poderio.

O dirigente comunista norte-coreano Kim Jong-Il foi eleito por unanimidade para o Parlamento na eleição de 8 de março de 2009. Ele teve 100% dos votos1.

O país tem sido profundamente marcado por um "culto à personalidade" que elevou o falecido ditador King Il-Sung, pai de Kim Jong-Il, à posição de deus.

O governo utiliza severos controles para incutir essa ideologia sobre cada cidadão, que inclui o culto a Kim Il-Sung e a seu filho Kim Jong-Il, o atual presidente. Todas as religiões contrárias a esta ideologia são proibidas.

A nação permanece fechada para o mundo exterior, porém as dificuldades econômicas e a fome crescente geraram alguma abertura, especialmente para ministérios de cunho social.

Mais da metade da força de trabalho (64%) atua na indústria e serviços.

Apesar de alguma modernização, a fome ainda é um problema social. Problemas sistemáticos, como a ausência de solo cultivável, a existência de fazendas coletivas e a falta de tratores e combustível, têm levado a Coreia do Norte a uma sequência de períodos de escassez de alimento iniciada em 1996.


A Igrejavoltar ao topo

Menos de 2% da população é cristã, apesar de o cristianismo ter uma longa história na região. Antes da guerra, o país era palco de um avivamento. A capital, Pyongyang, abrigava quase meio milhão de cristãos, constituindo na época 13% da população. Após a guerra, muitos cristãos fugiram em direção ao sul ou foram assassinados.

Atualmente, há quatro igrejas na cidade - duas protestantes, uma católica e outra ortodoxa -, mas são basicamente "igrejas de fachada", servindo à propaganda política.

Quase todos os cristãos na Coreia do Norte pertencem a igrejas não-registradas e clandestinas. O culto deles se constitui de um encontro "casual" de dois ou três deles em algum lugar público. Lá eles oram discretamente e trocam algumas palavras de encorajamento.


A perseguiçãovoltar ao topo

A perseguição aos cristãos foi intensa durante o período de dominação japonesa, especialmente devido à pressão exercida pelos dominadores para a adoção do xintoísmo como religião nacional. Desde a instalação do regime comunista, a perseguição tem assumido várias formas. Em um primeiro momento, os cristãos que lutavam por liberdade política foram reprimidos. Depois, o governo tentou obter o apoio cristão ao regime, mas como não teve êxito em sua tentativa, acabou por iniciar um esforço sistemático para exterminar o cristianismo do país. Edifícios onde funcionavam igrejas foram confiscados e líderes cristãos receberam voz de prisão. Ao serem derrotados na Guerra da Coreia, soldados norte-coreanos em retirada frequentemente massacravam cristãos com a finalidade de impedir sua libertação.

Ser cristão é perigoso na Coreia do Norte; por isso o país ocupa, pelo sexto ano consecutivo, a primeira posição na Classificação de países por perseguição. O Estado não hesita em torturar e matar qualquer um que possua uma Bíblia, esteja envolvido no ministério cristão, organize reuniões ilegais, ou até que tenha contato com outros cristãos (na China, por exemplo). Os cristãos que sobrevivem às torturas são enviados para os campos de concentração. Lá, as pessoas recebem diariamente alguns gramas de comida de má qualidade para sustentar o corpo que trabalha por 18 horas. A menos que aconteça um milagre, ninguém sai desses gigantes campos com vida.

Em setembro de 2007, a revista Newsweek destacou o drama dos cristãos norte-coreanos. Um desertor, Son Jong-Nam, converteu-se quando fugiu para a China, onde conheceu um grupo de missionários cristãos. Após certo tempo, ele voltou ao seu país como missionário. Lá, foi detido e acusado de ser espião. Atualmente, ele está no corredor da morte em Pyongyang.

Son cresceu em boas circunstâncias por ser filho de um alto oficial. De acordo com a Newsweek, a esposa dele, grávida, perdeu o bebê depois de ter sido espancada durante um interrogatório na Coreia do Norte, por ter criticado o controle de alimentos de Kim Jong-Il.

Desde o final do século 19, cerca de cem mil norte-coreanos mantêm a fé cristã clandestinamente, segundo cálculos da Newsweek. Até mesmo Kim Il-Sung, o primeiro ditador da Coreia do Norte, falecido recentemente, veio de uma família cristã devota.

De acordo com missionários, os cristãos norte-coreanos mantêm suas Bíblias enterradas nos quintais, embrulhadas em plásticos. Alguns pastores na China oram por doentes e pregam através de interurbanos feitos por telefone celular, segundo a reportagem. Tudo isso num intervalo de tempo que vai de cinco a dez minutos. Os "cultos telefônicos" têm de ser rápidos, e muitas vezes são interrompidos bruscamente, porque a Coreia do Norte usa rastreadores para localizar os telefones.


Motivos de oraçãovoltar ao topo

1. Louve a Deus pelo crescimento da Igreja e pela capacidade dos cristãos norte-coreanos de divulgar o evangelho mesmo sob rígidas restrições. Ore para que novas oportunidades de evangelismo sejam descobertas.

2. A situação atual é terrível, mas Deus está usando esse sofrimento para o bem. Portas estão se abrindo para o evangelho à medida que o governo torna-se cada vez mais favorável a aceitar os ministérios cristãos de ação social e humanitária. Ore para que esta pequena abertura na esfera governamental possa expandir-se rapidamente.

3. O povo sofre com a obrigação de cultuar os líderes do país. Ore para que o vazio dessa falsa religião torne-se evidente e para que os norte-coreanos busquem o Deus verdadeiro.

4. Organizações missionárias voltadas para a Coreia prosseguem em sua preparação. Louve a Deus pelo grande volume de recursos que está sendo disponibilizado para ajudar a Coreia do Norte. Ore para que as organizações missionárias encontrem formas de realizar seu trabalho nos dias de hoje. Ore também para que estas organizações estejam preparadas para agir conjuntamente quando as portas do país se abrirem para o exterior.

5. Os cristãos coreanos sofrem com a falta de Bíblias. A maioria dos cristãos não possui sua própria Bíblia e muitos não têm sequer acesso a uma. Ore para que ministérios cristãos consigam suprir o país com Bíblias. A maioria das Bíblias tem que ser contrabandeada e equipes de entrega continuam sendo necessárias.


Fontes

- 2008 Report on International Religious Freedom